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ALCANÇAR O ESTADO DE SANTIDADE PELO CAMINHO DAS EMOÇÕES

Autor: Nelson Marmentini

Ao longo da nossa caminhada existencial, que é a peregrinação terrestre, não progredimos e nem amadurecemos espiritualmente, sem experiências vivenciais que devem ser nutridas e orientadas pela importância da música e da poesia, como componentes culturais que conduzem a um certo alinhamento das emoções das pessoas, que fazem com que o proceder humano, tenha um relacionamento harmonioso com suas próprias emoções. Podemos nos referir a um determinado enunciado popular que diz: “quem canta seus males espanta”; referenciado pelo filósofo Buffon, gênio literário francês. Também Santo Agostinho nos dá a orientação do salmo bíblico que afirma: o canto é uma oração duplicada; por isso, sorrir, cantar, agradecer no dia a dia, é um dom da vida que emana do convívio familiar e social.


Todo o canto religioso ou profano realiza ou gera, na mente da pessoa o estímulo necessário, para desenvolver uma emoção, para que o ser humano assuma vivencialmente atitudes que dignifiquem o seu viver como pessoa no grupo familiar e social. A pessoa humana, por natureza biológica, possui uma estrutura orgânica harmoniosa, a partir da unidade vital, que a qualifica para ter procedimentos de indução qualificada, para a sua plenificação, quando do resgate da sua peregrinação da vida terrestre.


Mesmo não sendo escritor, poeta, jornalista ou literato sem nenhuma obra publicada; mas pelo fato de existir como seres humanos, somos peregrinos no Planeta Terra; então, a Vida é um Livro aberto, que escrevemos diariamente, uma página por dia, que é uma literatura insubstituível; portanto única e qualificada, mas que pode ter méritos transcendentais; portanto, esta emoção que é única e nos pode encaminhar para a perspectiva da santidade.


A vida de qualquer ser humano é estruturada em cima de dois pilares: o psíquico e o somático que são indissociáveis; por isso, formam a unidade psicossomática que é a estruturação biológica do ser humano. Então toda a atitude de vida meditativa e orante tem o seu valor, porque está vinculada ao ser criativo e onipotente, que gerencia toda a obra criativa do Planeta Terra. Sabemos que o responsável da obra criadora, o Deus da vida, orientou a criação do ser humano feito a sua Imagem e Semelhança, portanto, o nosso viver e o nosso realizar devem ser compatíveis com a dignidade do Deus Criador.


Os beatos e santos de ontem e de hoje nos ensinam que a oração é um laço unitivo e misterioso entre a criatura e o Criador; que une o Céu e a terra; que é uma união comunicativa e profunda entre o Pai da Vida e a sua descendência que somos nós. Santo Agostinho nos dizia: “Em verdade, quem sabe rezar dignamente, vive com mais sabedoria”. Para que o nosso viver, as nossas emoções, sejam de uma forma ou de outra, nutridas por uma prece ao Deus da vida, visto que, só no caminho que fixa o poder da plenitude é que podemos encarnar perspectivas de santidade no exercício do dia a dia no nosso viver diário.


Podemos lembrar a trajetória do Mestre de Nazaré, que ocorreu a mais de dois mil anos, em que a sua culminância, após 33 anos de peregrinação terrestre, foi trucidado desumanamente, pregado numa Cruz desafiadora, que continua até nossos dias, desafiando-nos pelos inúmeros enigmas que ocorreram naquele contexto, que desafiou os laços Divinos e Humanos de toda a Obra da Criação; a mesma implementou um desafio para qualquer ser humano que almeje trilhar vivencialmente, a perspectiva de somatizar atitudes e laços de santidade, como filho da Criação e que pertence a família humana, como obra criada e de dignificação das criaturas.


Seria melancólico e extremamente desinteressante, sem dúvida, se todas as coisas da obra da criação estivessem plenamente acabadas, isto é, tudo perfeito. Então, as criaturas humanas não teriam nenhuma participação, nenhum retoque a fazer ou a elaborar para auxiliarmos, no dia a dia, a obra da criação, que tem uma dinâmica ininterrupta de dinamicidade e nunca de estagnação. Sabemos que o Deus da Vida nos convidou a sermos participantes do processo cuidativo e zeloso de toda a criação; por isso, somos coconstrutores da obra da natureza que o Senhor nos entregou e nos delegou como responsáveis e cuidadores. Isto é, uma tarefa muito importante que qualifica a nossa existência e pode nos enquadrar na perspectiva para a santidade.


Todos os pensamentos, emoções e palavras fluem normalmente da nossa vida, assim como, o encontro do meio gasoso, líquido e sólido faz parte de uma interrelação contínua de toda a matéria que compõem a natureza. Sabemos que são muitos os pensamentos, já transcritos em inúmeros papéis, e proclamados aos quatro ventos que estão à espera de serem materializados pela ação das pessoas, a isto denominaríamos de ato de plenificação pela junção do pensar e o fazer, a concretização, como participantes da obra executora que a natureza muito agradece.


O pensamento é a chave inicial para qualquer realização, por isso, precisamos ser dedicados, bondosos, compreensivos, abnegados, decididos e fiéis a um determinado pensamento, pois, se acompanhado de boas emoções, certamente, o ânimo disciplinará a execução e em consequência, surgirá a concretitude de tal emoção, que é o gesto concreto do ser humano e que agrada a natureza e a obra criadora.


Como nós somos obra semelhante ao criador, temos sempre que suplicar que Ele nos revista de sua beleza, de sua ternura, de sua misericórdia, de seu entendimento, de sua sabedoria,... para que, possamos sempre realizar o bem com dignidade, a favor de qualquer atividade que realizamos com a natureza para sermos contínuos colaboradores do projeto divinamente criativo. O todo poderoso nos deixa muitas vezes num quadro de espera, visto que, a cronologia de nós humanos não coaduna com a cronologia do nosso Criador.

Sejamos cuidadosos e prudentes sempre no aguardo do timoneiro da criação, para sabermos monitorar os estímulos e acolhê-los sabiamente para a nossa execução laboral, no contexto de cada tarefa de nossos dias, de dedicado e alegre trabalho.


No banco da misericórdia divina, há uma contínua disponibilidade na execução de muitos pensamentos e atividades emotivas, que são alimentadas de diversas maneiras, e que estas colaboram de uma forma direta ou indireta na qualidade da execução de determinada tarefa. Estas, dependendo de sua originalidade, no decurso da execução, qualificam ou desqualificam a polidez efetivada de uma determinada realização prática. Somos desta forma, como que, dependentes da origem da emoção, para determinarmos a concretização de um certo trabalho, que nos dignifica ou não.


Como descendentes do Mestre de Nazaré, nós somos cristãos, que normalmente, encarnamos as qualidades que Ele proclamou, portanto, com o compromisso de assumi-las no dia a dia de nossos afazeres diários. A felicidade, a alegria, a dedicação, a atenção, a prudência, a responsabilidade, a determinação, a competência, a honestidade, a fidelidade aos princípios da natureza faz com que a dignidade do nosso trabalho diário, geste emoções, que qualificam as nossas tarefas, como resultante à qualidade do que nós realizamos.


Na construção laboriosa do nosso edifício existencial, somos inquestionavelmente, os arquitetos soberanos desta obra, visto que, o autor da nossa existência, nos constituiu como ser único, irrepetível, portanto, com dotes únicos e intransferíveis. A partir disso, somos portadores de capacidades singulares, que nos dotam de recursos benéficos, para nossos irmãos, que nos respeitam em nossa individualidade, com a respectiva tarefa.

Ninguém nasce pronto, perfeito e qualificado para tudo. Tudo no dia a dia de nossa vida é processo, é caminho a ser palmilhado, do ventre materno à sepultura. Sem determinação, heroísmo, dedicação, persistência e perseverança ninguém atinge o topo da montanha. Então devemos ter fé, esperança e caridade para que as palavras que dignificam as pessoas, se concretizem no dia a dia de nosso trabalho.


Devemos acreditar serenamente em nossa força interior, para enfrentar nossa tendência de não querer enfrentar as dificuldades, no desenvolvimento de certas tarefas, que precisamos realizar, para qualificar um determinado ofício, do nosso compromisso de viver dignamente, através da execução de nossas obrigações com a praticidade da vida. Devemos nos deixar conduzir por determinados estímulos emocionais, que favoreçam um bom ordenamento, ou seja, uma satisfatória energia entre o conteúdo existente na própria natureza e a maneira como executamos um determinado trabalho, que temos o compromisso de executá-lo, para satisfazer uma determinada necessidade ambiental, ou simplesmente pessoal; pois isto, gera um estado emocional de qualificação de uma boa emoção, que contempla as necessidades de vida e do contexto ambiental.


Ser executor de uma corrente contínua de determinadas tarefas, nos obriga a assumirmos o compromisso vivencial, de simultaneamente, termos emoções condizentes com esta realidade, que prima por sua qualidade prática a favor da matéria e da respectiva harmonia.


Nesta corrente exequível de contínuas tarefas, necessárias ou não, nós como operadores da referida engenharia, nos habilita a sermos autodidatas pelos dons, que naturalmente herdamos pelo conjunto da obra da criação. Então, a partir disto, somos responsáveis por sua exequibilidade no processo vivencial de cada momento de nossa vida diária; onde somos caminheiros de uma linha de montagem na operacionalização, de uma rede sequencial de tarefas; que precisam atender as nossas emoções e as características da matéria ambiental, como que num íntimo relacionamento, entre emoção e matéria.


Ao mergulharmos nesta área da operacionalização contínua, temos as lições de ontem, que são irrecuperáveis, porque sedimentaram uma determinada parte da obra que permanecerá como símbolo, ou gesto concreto, do itinerário de vida ou como prova existencial de que eu estive e passei por aqui, e daí só resta a contemplação daquele ato. Por ser do passado, é imexível, como ato executado, mas somente pode ser admirado como obra do itinerário de vida. Quanto ao ontem, nunca podemos esquecer de contemplá-lo, visto que, ele sempre é referência de um quadro de análise avaliativa de como foi operacionalizado em cada momento de sua exequibilidade, visto que, por si só emite inúmeras informações, de como foi a operacionalidade da referida obra, que estamos admirando como algo, que é lição de vida, que é referência para o hoje, que está em operação, como ato contínuo do nosso existir. O hoje é a constante incógnita que se materializa, em instantes contínuos e sucessivos, para que a rede da vida, não sofra lapsos de operacionalização, pois tudo é sequencial e contínuo para a garantia da dinamicidade do existir; que é a orientação da obra criativa e nós como operadores desta engenharia, temos o compromisso de gerenciá-la com qualidade dignificante; para o nosso existir e para todas as relações do convívio pessoal, familiar e social.


O depois, a seguir, o amanhã é sempre sonhatório e recheado de inúmeras projeções, que são abastecidas de inúmeras idéias e emoções que fomentam a imaginação criativa do novo, do diferente, do mudável que qualifica as características psicológicas das emoções. Por isto, ao deslumbrar o amanhã estaremos sempre nutridos de emoções inovadoras, que abastecem o imprevisível, mas que, não é carente de exequibilidade operacional, porque é nutrida de componentes emotivos, que emitem contínuos estímulos de operacionalização, portanto, a obra é de suceptibilidade exequível, segundo informações emocionais emanadas do subconsciente da pessoa.


Tal projeto, do antes, do durante e do depois de qualquer ato ou obra da pessoa, sempre requer a presença de pensamentos, estímulos operacionais que são as emoções, que de uma forma ou outra, gestam a perspectiva de operacionalização de tal tarefa, que precisa ser inspirada e iluminada por energias, que entrelaçam entre o meio material e o ambiente emocional, que juntos podem se complementar. Este desafio do agora, sempre vem recheado de um conjunto de fatores, que são os pensamentos, os materiais, as emoções que oferecem muitos elementos emotivos para a sua execução, portanto, a obra acontece de uma maneira positiva ou não, dependendo de fatores incontroláveis, por parte da matéria em que se concretiza a obra.


Devemos ser gestores de projetos animadores que enamoram emoções positivas, favoráveis ao ânimo, a alegria, ao entusiasmo, ao empreendimento, a audácia e para a construtividade, para contaminarmos o ambiente de convívio conosco e com as pessoas, com as quais nós convivemos e nos relacionamos afetiva e operacionalmente, através dos afazeres diários de nossos compromissos pessoais e profissionais. Por tudo isto, e muito mais, devemos estar alegres e sempre animados conosco mesmo, e com as pessoas de nosso convívio afetivo e profissional.


Todo o ser humano é uma sementeira que espraia contextualmente, sementes de calor humano, que contagia o meio ambiente e todos os seres vivos e não vivos, ali inseridos, neste ventre natural que lhe assegura abrigo e carinho da “mamãe” terra, que favorece a gestabilidade de todos os seres bióticos e abióticos, que compõem a família do meio ambiente natural; que do qual, nós também dependemos diariamente, para podermos ter o nosso cardápio de sustentação biológica, este, indispensável para suprir as nossas necessidades nutricionais, que asseguram a qualidade de vida e uma boa e equilibrada saúde corporal. Também a pessoa humana, dissemina no meio do convívio, muitos tipos de sementes, que bem cultivadas produzem na lavoura da vida, fartas produções de alegria, prosperidade, segurança, autossuficiência, solidariedade, presteza, dedicação, firmeza, autoestima, compromisso de fidelidade na gestação emocional, de qualquer atividade, que assegura boa resolução no desenvolvimento de um trabalho, que materialize uma emoção significativa, para a realização pessoal e grupal, no núcleo familiar, no convívio social e no ambiente de trabalho profissional.


Sejamos como a luz, que pode ser comparada com uma emoção positiva, que desfaz ou reduz a escuridão, que pode estar presente em qualquer situação de vida, nas relações intrínsecas e extrínsecas, geradas pelo nosso consciente, que operacionaliza a parte emotiva e a parte prática da execução, de várias modalidades de realizações ou tarefas do nosso viver diário. A emoção é uma luz que emana do nosso consciente, com a finalidade de desencadear uma rede de motivações, que acabam por adornar e fomentar os elementos motivacionais, para a concretude das ações realizadas, a cada instante de nosso viver pessoal, relacional em família e no ambiente social.


A projeção emocional nos ajuda a sair da planície confortável do nosso cômodo diário, para tentar escalar a montanha, com sua ingremitude, que os desafios do dia a dia, nos apresentam como um cardápio silencioso, que de uma forma ou outra devemos ou precisamos degustar para sentir a frieza da realidade, que precisamos assumir e em decorrência transformar pela praticidade da realização das obras, que nos são confiadas, pela necessidade e presença, a ser transformada no meio do nosso convívio.


O ser humano é gestado para os píncaros, isto é, para a transcendentalidade, por isso, não podemos rastejar na esteira da imoralidade, que subjuga as emoções para a mediocridade, comprometendo a dignidade da vida de qualquer pessoa. Ao nascer a criatura deve ser recomendada ao plano da sobrenaturalidade, para que a Suprema Sabedoria, sempre suplante a fraqueza medíocre e carnal, que rebaixa a qualidade emotiva, para a execução de qualquer trabalho ou atividade racional, com as pessoas do convívio da vida privativa ou profissional.


O amor no plano divino, quando encarnado por qualquer pessoa tem uma teia de plenitude, que dignifica o pensamento, as emoções junto com todas as virtualidades do amor humano, que é gestado no contexto do ambiente vida da intimidade familiar e em decorrência disto, se corporifica como um novo ser e único, na peregrinação da vivência terrestre. E este, deve ser embasado e estruturado pelas ações, que adornam com virtudes e atividades diárias a favor da vida e da personalidade humana. Esta é a emoção que une o sobrenatural ao material, a mais empolgante e corporificante do ser humano, pois esta, é a emoção que materializa o ato humano como cocriador da obra, no plano do Deus da Vida.


O meio social em que vivemos, é administrado pelas próprias pessoas, por isto, neste meio, em que os seres humanos vivem e convivem é estruturado e adornado de muitas complexidades e diversidades de idéias, planos, sugestões, emoções com tendências construtivas e também destrutivas, irrigadas e nutridas com inúmeros materiais, de excelente qualidade, disponíveis no próprio meio ambiente, para construir e qualificar, inúmeros projetos e ambientes, que possam ser usados diariamente, e disponibilizam muitos espaços de conforto e acomodação, para todas as pessoas que vivem e convivem no referido meio social. Isto é altamente gratificante, porque é gerado pela ação dos humanos, que disponibilizam bons pensamentos, lindas emoções, que mobilizam pessoal e socialmente muitas pessoas a favor do bem comum, que sacia individual, familiar e socialmente o conjunto de seres humanos que ali residem. O conjunto dessas ações humanas é que organizam e disciplinam os espaços do convívio familiar e comunitário, que acabam por harmonizar as emoções pessoais, familiares e sociais e por isto, dignificam as relações e o convívio com e entre as pessoas.


Precisamos estruturar os nossos pensamentos conectados nas misteriosas antenas da Fé, que gestam emoções de qualidades extremamente positivas, que, quando concretizadas dignificam o ser humano e as relações de convívio entre eles. E, é isto, que nutre o bom e animado relacionamento no dia a dia das pessoas no ambiente familiar e grupal. O otimismo é gerenciado por emoções, que favorecem a estruturação e a manutenção da qualidade da saúde corporal de qualquer pessoa, que vive em ambientes familiares e espaços sociais. É altamente gratificante diluir o convívio junto aos valores da vida, para degustá-los, diariamente, como nutrientes indispensáveis na manutenção da dignidade das emoções, que mantem a beleza da vida e do convívio, que é uma obra ininterrupta no edifício humano e na dinâmica da vida das pessoas, coordenada pelos respectivos pensamentos, frutos da inteligência humana.


Quem vive irrigado no plano do Deus criativo, tem muita profundidade no plano da materialidade e da transcendentalidade, porque se nutre no perfume da felicidade, que sempre nos enriquece, no convívio diário com os irmãos e irmãs em organização familiar e comunitária. Isto, gera um celeiro de harmonia, tendo como epicentro o coração humano. É isso, que emana um ambiente harmonioso de luminosidade pascoalina, tendo como referência o Mestre de Nazaré, que é o nosso Redentor; que ofusca toda a malignidade, que permeia as autorelações intrínsecas e extrínsecas, da unicidade da vida e em decorrência, estabelece inúmeros laços nas emoções relacionais na família e na familiaridade social, isto é significativo, porque vai estruturando a dinamicidade da genealogia da árvore social.


Toda a ação humana recheada nas virtudes vivenciais, a favor da dignidade da vida, torna-se prece orativa, que enaltece a Obra do Criador e a bendize, na sua infinita generosidade, que homenageia e agracia o ser humano, com sua infinita e copiosa bênção, como verdadeiramente, é o Pai da Criação. Há muitos documentos e comentários na literatura universal, que nos mostram que o estado de santidade ou a vivência para a santidade, é estar comprometido e encarnadamente nutrido pela ordem gerativa do Deus da Criação.


Esta é uma das formas de estarmos, vivencialmente, no itinerário de cada dia, rumo à santidade. A participação cada vez mais intensa, nas ações a favor da vida pessoal e social, nos entroniza cada vez mais, no ambiente e nas condições, que são de perspectivas de santidade, como pessoa descendente da genealogia criadora do Deus da Vida. Temos de considerar sempre, a necessidade e a existência das emoções e atitudes de vida meditativa e orativa, é isto, que nutre, ideias, pensamentos, emoções e comportamentos a favor da santidade, na andança da vida, que necessariamente, deve estar nela encarnada.


Na coordenação e vivência das atividades Eclesiológicas e Cristológicas, no contexto atual da humanidade, o Papa Francisco, produziu muitos comentários e exortações Apostólicas, para propagar e orientar o ser humano, a viver encarnadamente a Palavra, que é a mensagem de Jesus Cristo, nosso guia e luz. O Papa Francisco nos diz: “o meu humilde objetivo é fazer ressoar na vida das pessoas, o belo convite de que, o ser humano é chamado a viver para a santidade; procurando vivê-la no contexto social da atualidade, apesar das dificuldades, dos desafios e dos riscos, para defendermos e vivermos, no cotidiano as atitudes e trabalhos, que sejam justos e dignos, a favor da vida, que nos levam as perspectivas de santidade, tendo como essência, viver o amor vivido por Cristo, em sua vida terrena, lá na Palestina”. O conteúdo que o Papa Francisco divulgou nas exortações, não é específico para as pessoas religiosas ou consagradas, mas destina-se a todas as pessoas que vivenciam credos religiosos, que pela praticidade do bem viver, nas relações interpessoais e no trabalho, possam ir confirmando a sua tendência para a santidade.


Na Lumen Gentium nº11 – “Munidos de tantos e tão grandes meios de Salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado de vida, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um por seu caminho”.


Hoje, apesar de tanta exclusão, é possível a nós, criaturas à Imagem e Semelhança de Deus, sermos sal e luz no mundo, contrapondo-nos à estrutura maléfica, fazendo brilhar as virtudes humanas, aflorando a paciência, a alegria, o bem-estar coletivo, a partilha e a vivência do amor misericordioso, no convívio relacional em cada ambiente familiar e social.


No Cap. III – A Luz do Mestre da última Exortação Apostólica, vemos que os termos “feliz ou bem-aventurado” tornam-se sinônimo de santo, porque expressam que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra, alcança na doação de si mesma, a verdadeira felicidade. Estar no caminho da santidade é um exercício diário de Busca no viver cotidiano. É um exercício que nos leva ao olhar misericordioso, sobretudo o que acontece em nosso convívio pessoal, familiar, profissional e no conjunto da obra social.


Certamente não temos uma data comemorativa, exaltando a nossa vida. Teremos, sim, a certeza de que, como disse São Paulo,: “combati o bom combate”. Coloquei minha vida no caminho da Palavra e da vida de Jesus Cristo. O verdadeiro significado da nossa vivência terrena, que é passageira, está no final dela; pois nascemos para retornar à plenitude do berço Eterno. CIC nº 2013 – “todos os fiéis cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição na caridade”. “Todos são chamados à Santidade; deveis ser perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito”. (MT 5,48).


CIC nº2015 – O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual, (cf. 2Tm 4). O progresso espiritual envolve a ascese, a mortificação que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças. CIC nº 2016. Os filhos da Santa Igreja, nossa Mãe, esperam justamente a graça da perseverança final e a recompensa de Deus, pelas boas obras realizadas com a Sua graça em comunhão com Jesus. (cf. Conc. De Trento, DS 1576). Observando a mesma regra de vida, os fiéis cristãos partilham “a feliz esperança”, daqueles que a misericórdia divina reúne na “Cidade Santa”, a Jerusalém Celeste, pronta como uma esposa que se enfeitou para seu marido. (Ap. 21,2).


Em Apocalipse 21,1-4. É o triunfo, a vitória definitiva. O Senhor já triunfou! O Senhor já venceu! E nós aguardamos aquele dia feliz em que a glória de Deus, em nossa vida, há de manifestar-se. Vejamos, passou a primeira condição! Passou tudo que era falho, tudo que era fraco. Passou o tempo da perseguição. Passou o tempo das dificuldades. Passaram-se os problemas. A nova Jerusalém é a Igreja, a esposa ornada para o seu esposo, que é Jesus. Esta é a nova Jerusalém, a cidade santa que veio do Céu, que veio do alto. E nós somos homens e mulheres que vivem nessa grande esperança. Somos cidadãos do novo Céu! Esperamos um novo Céu e uma nova Terra, onde não haverá mais dor, nem injustiças, nem ciúmes, nem inveja, nem perseguição. Sim a Jerusalém do alto.


Passou o que era velho, agora estamos na nova glória! E nós vivemos preparando-nos para a grandeza de Deus, para a grandeza do poder do Céu. Nós buscamos neste mundo, viver no Espírito de Deus, e Ele nos prepara para tomarmos posse deste espaço grandioso e maravilhoso. Nossa esperança está para além desta nossa vida terrestre.

Nossa Fé não nos leva a buscar aqui riquezas e poder. A nossa esperança é para o novo Céu e a nova Terra. E nós queremos estar onde o Deus da Vida está. Ele disse que, onde estiver nosso tesouro, ali estará o nosso coração, e nós queremos que nosso tesouro, esteja no plano de Deus.


O caminho da santidade é, segundo o Papa Francisco, transfigurar o cotidiano, resgatar em meio ao ordinário o extraordinário. É também vigiar constantemente e estar atentos às armadilhas que aparecem a cada momento da vida e superá-las, inspirados pela experiência de amar, no fazer cotidiano e pelas opções fundamentais, que daí decorrem. É discernir, constantemente, não entre o bem e o mal, mas entre o bom e o melhor. O que propõe o pontífice em sua exortação é uma compreensão mais realista e humana do que seja o ideal de ser santo em um mundo fragmentado e dividido. Na verdade, o que o Papa afirma, ousadamente, é um chamado para todos à santidade.


É um caminho para todo o ser humano, que não se conforma com este mundo e entende que deve viver o possível para transformá-lo e humanizá-lo. É uma vocação para todo aquele que não aceita que sua vida tenha que resumir-se a satisfazer as pulsões, buscar sensações sofregamente e contentar-se com gratificações superficiais, que se desvanecem rapidamente, deixando frustrações na essência da vida, no amor à vida de cada pessoa.

Se nos tornarmos santos estaremos no Céu; pois Ele é a luz verdadeira que nunca se apaga e plenifica a vida pessoal, a ser vivida dignamente, nas relações familiares e de convívio social, assim alcançamos, a felicidade perfeita no convívio pleno com o Deus da Vida.

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