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COMPREENDER E ENTENDER AS NEUROSES

Autora: Psicanalista Leocadia Nierotka Marmentini


A saúde é um dos valores fundamentais da vida, tendo como referência um órgão fundamental, o coração humano, juntamente com o desejo de amar e ser amado e ter uma vida longa ou mesmo de querer viver para sempre!


Trata-se de uma questão vital em termos de se construir na humanidade um futuro com qualidade de vida; muito além da mera sobrevivência sofrida, garantindo possibilidades de um futuro de vida para as atuais e próximas gerações.


A área da saúde se transformou hoje numa questão de salvação ou de condenação – morte prematura para milhões de pessoas no mundo.


“Saúde – é o resultado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de enfermidades”, isto, segundo a OMS/1946. Também, saúde é o resultado de alguns “ingredientes”, da nossa realidade, tais como: educação, recursos humanos, ocupação, trabalho, emprego, terra para cultivar, ambiente saudável, ar e água puros, bons relacionamentos,... É o pré-requisito para o desenvolvimento pessoal e comunitário e dá-se através de: nutrição, educação, emprego, remuneração, promoção da mulher, criança, ecologia, meio ambiente, bem estar, saúde mental,... As condições em que as pessoas crescem, vivem, trabalham e envelhecem influenciam fortemente como as pessoas vivem e morrem. Todos estes elementos interferem nas condições de saúde. Reduzir as desigualdades nessas áreas, reduzirá as desigualdades no âmbito da saúde.


É necessário agir para promover e proteger a vida humana e a saúde: não somente cuidando das necessidades individuais urgentes, como das auto-relações, relações interpessoais; familiares e sociais, mas também, em vista da construção de políticas públicas e projetos de desenvolvimento de abrangência nacional, regional e local, dentro de uma estrutura demarcada pelos valores referenciais éticos de solidariedade, justiça, partilha fraterna e equidade.


Esta visão de saúde nos ajuda a entender não somente as causas físicas, mas também as mentais e espirituais das doenças, e tendo também, as causas políticas que influenciam todo o conjunto da sociedade, que provocam, além das próprias doenças, injustiças generalizadas que provocam distúrbios emocionais em qualquer pessoa.


A saúde da comunidade é influenciada por um grande número de fatores, como os econômicos, culturais, sociais, políticos e ideológicos. Aqui, no caso, as ciências da saúde física, da psiquiatria e da psicanálise não podem resolver e curar tudo. Como a saúde mental está intimamente ligada à economia, cultura, habitação, trabalho, lazer,... pouco se pode fazer para curar as pessoas senão melhorar as condições de vida, para a qualidade da existência humana. Neste particular, nossa condição de subdesenvolvidos faz com a saúde mental de nosso povo esteja profundamente abalada. Um clima geral de desesperança abate-se sobre o nosso povo. Existe a falta de perspectiva de um futuro melhor, mais próspero, mais digno e mais humano. E isto gera as neuroses, como o medo, angústias, preocupações, ansiedades, depressão, revolta com as injustiças sociais,...


A corrupção que existe no poder constituído, as situações de dominação e exploração, o descaso dos governos para com a educação e a saúde pública atingem diretamente as pessoas em geral.


A própria estrutura social e política de nossa sociedade está em condições de criar graves distúrbios psíquicos.


As condições de vida e o tratamento dado pelo poder constituído ao trabalho e produção na sociedade urbana e rural criam profundos problemas emocionais.


- A solidão que as pessoas vivem nas cidades;

- O individualismo que está em toda a parte com o ditado: “cada um por si e Deus por todos”.

- A violência que afronta os Direitos Humanos de uma vida digna.

- As longas horas de trabalho e lugares fechados e insalubres.

- A grande competição da sociedade de consumo criando muitos desequilíbrios,...

- Os baixos salários que não permitem às pessoas o mínimo necessário.


Por trás do doente mental está toda a estrutura de uma sociedade que causa desequilíbrios e gera a doença... É fácil verificar que na sociedade existe um número elevado de pessoas com insônia, constantemente tensas e nervosas. Constatamos também que aumenta o número de suicídios, aumento do uso de álcool, de drogas... Aumentam também as doenças de origem psicológica como: asma, úlcera, urticárias, dores de cabeça, cansaço excessivo, nervosismos, perda da autoconfiança, da capacidade de iniciativa, da capacidade criativa,... Todos estes problemas de saúde acabam nos tornando “doentios” perante a vida. A situação econômica, as perspectivas de vida, as condições sociais, a violência, as agressões, nos tornam mais pessimistas ainda. É exatamente aqui, diante deste quadro desolador, que entra a nossa luta de esperança, de pensamentos positivos dos trabalhos dos psicanalistas. Não podemos ser apenas otimistas, querendo coisas que são difíceis de resolver ou tratando a realidade social com negativismo ou dizendo: “pra frente Brasil”. Devemos ser realistas, mas com esperança e lutadores por uma “cultura da vida”. A realidade social, econômica, política e educacional, é dura, desumana, sem dúvida. É no meio desta realidade que temos de aprender a viver positivamente.


E temos também muitos doentes mentais e as doenças mentais não se curam com remédios de farmácia somente, mas com a ajuda de psicólogos e psicanalistas e também, a solução para estas doenças virão das melhorias na qualidade de vida; pois uma sociedade mais fraterna e justa é condição de mais vida e saúde mental. Quando falamos de felicidade, paz, prazer, alegria, tranquilidade, solidariedade, realização,... estamos falando de saúde mental; refere-se como vivemos nosso dia a dia, como nos relacionamos em família, na comunidade, nas atividades esportivas e profissionais, com os amigos de convivência, com os familiares,... Tem muito a ver com a maneira como equilibramos nossas tensões internas: desejos e emoções, ambições e ideias, capacidades e exigências da vida, isto, refere-se a três pontos básicos:


a. Como nos sentimos em relação a nós mesmos,

b. Como nos sentimos em relação às outras pessoas,

c. Como enfrentamos as exigências da vida.


Todos podemos ter mais ou menos saúde mental dependendo da forma como resolvemos nossas tensões básicas. Ninguém tem uma saúde mental perfeita. Somos mais ou menos saudáveis mentalmente, na medida em que estabelecermos a harmonia dentro de nós, diante dos desafios da vida. É importante saber em que consiste a saúde mental, para que cada um de nós possa conquistá-la, dentro de suas condições de vida:

a. Em relação a si mesmo:


- Não se descontrolar diante das próprias emoções, raivas, medos, ciúmes, sentimento de culpa ou preocupações;

- Saber suportar as frustrações; - Aceitar a si mesmo e aceitar os outros; - Não valorizar demais as próprias capacidades e também não desvalorizá-las; - Aceitar os limites; - Ter dignidade e respeito por si mesmo; - Ser capaz de resolver a maioria dos desafios e as situações que se apresentam; - Sentir a alegria com as conquistas do dia a dia.


b. Em relação aos outros:


- Transmitir amor e ser capaz de levar em conta os interesses dos outros; - Ser capaz de manter relações humanas duradouras; - Gostar e confiar nas pessoas; - Aceitar as pessoas com suas qualidades e limites; - Não se aproveitar das outras pessoas; - Sentir-se responsável pelos outros; - Sentir-se membro ativo de uma família e de uma comunidade.


c. Em relação à vida:


- Enfrentar os problemas à medida que vão surgindo; - Não se preocupar com os problemas que ainda não existem; - Aceitar a responsabilidade perante a vida; - Ter ideias e planos sem medo do futuro; - Estabelecer metas realistas; - Ser capaz de tomar as próprias decisões; - Ser capaz de transformar para melhor o ambiente em que se vive; - Ser capaz de adaptar-se as diversas situações de vida, quando isto for exigido; - Ser capaz de viver com alegria as novas situações de vida.

Mas devemos prestar atenção para os sinais que alertam para os problemas de distúrbios mentais ou neuroses:


- Tristeza; - Falta de esperança; - Mau humor constante; - Isolamento dos amigos; - Sentimento de ansiedade; - Baixo rendimento escolar; - Problemas de relacionamento; - Agressividade; - Ficar doente com facilidade; - Medos inexplicáveis; - Superatividade (necessidade de estar sempre fazendo alguma coisa sem parar).


Para estar de “bem com a vida” é necessário que tenhamos uma visão positiva de nós mesmos. É essencial que saibamos quais são nossas qualidades positivas, para o autoconhecimento, colaborando assim, com um mundo melhor. Precisamos gostar de nós mesmos, em primeiro lugar, pois sem amor próprio, não conseguimos gostar do outro.

Ter uma autoestima adequada, na medida certa, faz com que sejamos felizes, bem resolvidos e que confiemos em nós mesmos, não duvidando de que somos capazes de realizar tarefas complexas, por exemplo.


Mas, dentro da maioria das pessoas e dentro de nós mesmos, parecem existir dois “eus” conflitantes, ambivalentes. Um, inundado pela fragilidade, pela falsidade conosco mesmos. Indefesos, odiosos, instáveis, inseguros, inferiores enfim a toda a gama de negatividade que forma o esquema de eu, que os conceitos modernos da psicologia procuram modelar, já que o eu hipócrita, tangenciado pela falsidade, não conduz ao verdadeiro viver do nosso cada dia. Vemo-nos, então, trilhando os caminhos das neuroses, das compulsões, das imaginações fertilizadas por crendices, da falsidade cultural e religiosa. Parecemos pressionados de baixo para cima, provocando um verdadeiro estado desesperador, conflitante, como foi dito anteriormente com o eu (o outro), que na verdade íntima queríamos ter, isto é, o legítimo.


Muita coisa da boca para fora é dita para a busca de nossa identificação com o mundo exterior, mesmo porque este, através de condicionamentos, exige um certo comportamento, que pode deprimir os mais fracos a não se libertar. Ficam, enfim, presos dentro de si mesmo. Deve haver, pois um rasgo de compreensão e dose de boa vontade para a aceitação de princípios que, embora teorizados, devem ser levados para a interiorização pragmática, fugindo-se um pouco do rotineiro do eu que não é autêntico, porém aceito pelo mundo midiático, existente em nosso meio.


Desejamos intimamente que sejamos felizes, ou pelo menos nos aproximemos da felicidade, de modo especial a interior, sem transgressões violentas dos conceitos e pré-conceitos existentes. Na medida em que nós nos valorizarmos e soubermos que há um poder fantástico dentro da nossa mente, podendo ser utilizado na proporção do quanto queiramos aproveitar em nós mesmos e no convívio com o próximo, estaremos a caminho do eu verdadeiro. Devemos, então, encarnar, uma nova feição psicossomática para a nossa vida.


Quantas vezes, ao olharmo-nos no espelho ficamos mirando nossas faces, nosso olhar, o nosso lado belo, o feio, o conjunto físico. Mas, há ocasiões em que nos perguntamos: será que estou bem? Afinal, estou certo ou errado? Será que sou “bacana”, ou não?

A multiplicidade de perguntas se avoluma, é fundamental que isto aconteça, porque não nos conhecemos o suficiente, porém, é necessário que haja pelo menos um mínimo de conhecimento, para que possamos atingir a quase o máximo de autoconhecimento. Muitos temem saber muito de si mesmos, ou por insegurança, dúvidas, ou por educação distorcida, ou seja, uma seriação de outros motivos. Lutam na busca do autoconhecimento, procurando análises mais profundas de sua personalidade, de seus comportamentos, o que lhes vale, na grande maioria a amenização de problemas para uma existência mais feliz.


Aquele que se distancia do autoconhecimento, deixa a distância o próprio saber, não se harmoniza e parece uma nau sem rumo, ao sabor das ondas e dos ventos, sem leme que a governe. São pessoas que nunca atingem a maturidade, não têm dimensões de seus valores, acabam despendendo energias e trabalho acima daquilo que realmente necessitam. Avolumam o seus problemas, e se tornam incapazes de minimizá-los. Escondem-se, quando se procura por técnicas mais aprimoradas, da terapia das distorções, porventura existentes e parecem cultivar suas próprias deficiências.


Há dentro de nós um mundo de energias, de valorização interna que pode ser aproveitado racionalmente e não dentro do campo da ilogicidade, só pelo simples fato de que se tenha medo de se conhecer melhor. É triste tudo isto, quando se sabe que jovens e adultos fogem do próprio conhecimento e cultivam atitudes que não os engrandecem. Portanto, há um convite, um apelo para que todos possamos nos conhecer melhor, isto é, princípio socrático, muito antes de Jesus Cristo aparecer para nos redimir; o autoconhecimento, deve ser portanto, um anseio e uma realidade para todos.


Tem que haver reflexão, introspecção, procurando soluções pertinentes ao “quem é você”, dentro de um clima de absoluto enriquecimento de valores internos que conduzam à objetos concretos. Deve-se comparar atitudes, medir as problemáticas, os diferentes graus, até que possíveis neuroses sejam devidamente levadas em consideração. Deve haver uma visão de si mesmo, sem exageros, porém, que propicie comportamentos saudáveis alicerçados na vontade de tornar-se uma criatura humana dentro de padrões que aproximem muito das resultantes exigidas pela psicanálise humanista.


Então, autoconhecer-se é provocar projeções mentais que nos tornam mais dignos de nós mesmos.


Contudo, quando há inversão de valores e desequilíbrio da personalidade pode desencadear a neurose, que é uma palavra que está muito em voga.


Neurose é a frustração de uma necessidade fundamental, psicossomática, supervalorizando as tendências do ID (corpo) e minimizando as exigências da razão pela violação da hierarquia de valores. Por isso, nas síndromes nosológicas de toda a sintomatologia psiconeurótica, sempre haverá direta ou indiretamente a sufocação do superego, (lei transcendental inata) pela supervalorização das tendências fundamentais biológicas (ID), como também poderá haver frustrações patológicas das próprias tendências ID (misticismo doentio), como acontece com muitas pessoas que vivenciam certas crenças que induzem ao auto-aniquilamento.


Onde existe a neurose, prospera a desconfiança e o individualismo, neste tipo de ambiente existe a distância entre as pessoas, afastando qualquer possibilidade de amor e de solidariedade. Porque neste tipo de relação a frequência desta energia psíquica é desconfiança, medo e insegurança e neste ambiente não existe condições de realizar a cura da sua dor, de seu sofrimento.


A neurose projeta o tipo anteriormente descrito de imagem, e nas cenas existem pessoas que estão contaminadas pelas emoções de medo, inveja, ciúme, raiva, mágoas, ódio, onde este tipo de emoção não ajuda a resolver seus dilemas na existência. Mas, se a pessoa descobre com atenção que existe uma “humanidade”, de buscas inconscientes que os une; nesta causa, então, não existe mais críticas, preconceitos, somente pessoas dispostas a reacender esta luz de esperança e resgatar nesta relação analítica, o amor, a verdade, a sinceridade, a bondade, a compaixão, a compreensão que são valores essenciais de uma relação humanista e com esta energia emocional se cria as condições que o organismo precisa para elevar a sua vida com dignidade e inteligência.


Na busca do autoconhecimento para livrar-se de suas neuroses, o indivíduo descobre as causas de seus conflitos inconscientes e a partir daí, começa o processo de harmonização consigo mesmo, com seus afetos e, consequentemente, torna-se capaz de perceber o afeto dos que estão ao seu redor. Nesse processo o indivíduo que de alguma forma perdeu a sua identidade e vive distante de si e dos outros, desprende-se de suas fantasias e deficiências, toma consciência de sua condição e se torna capaz de reagir, elaborar e transformar suas atitudes. Tudo isso sempre depende do desejo do indivíduo de uma vida melhor.


Fromm manifesta-se sobre esse processo quando afirma: “Este processo de transformação é gradativo, ocorre naturalmente, manifesta-se por mudanças positivas no modo de pensar, de sentir e de agir. A Psicanálise não serve só para a cura de doenças, mas também para a libertação íntima do homem. Não é só uma terapia para eliminar os sintomas, mas também um meio para promover o desenvolvimento e as potencialidades do homem”. (Fromm, 1993, p.13)


No tratamento, o paciente é estimulado a vencer a falta do sentido na vida, a libertar-se do isolamento, do individualismo, do egoísmo, dos medos e da tristeza. Desenvolve a capacidade de amar e de permitir-se amar e ser amado.


“Na clínica humanista novos métodos são trabalhados com abordagens consideradas mais humanas, com mais amor e afeto. O pressuposto para este tipo de abordagem é de que o ser humano é dotado de uma estrutura psíquica que carece de afeto para sobreviver e viver de maneira saudável. Afeto e amor são considerados fatores decisivos que desenvolvem energias positivas indispensáveis para que a vida seja saudável”. (Fromm, 1991, p.113).


Fromm afirma, que norma primitiva da angústia se forma no conflito originado no indivíduo entre a necessidade de opter aceitação social e a necessidade de conseguir a sua individualidade. Quando esse conflito não se resolve através do trabalho e do amor construtivo, o indivíduo busca formas distorcidas, claramente neuróticas, para eliminar a sensação de solidão. De maneira textual, Fromm sustenta que a neurose é um tipo de adaptação dinâmica; um sintoma de um fracasso moral. A neurose em si, em última análise é sintoma de um fracasso moral (ainda que “a adaptação” não seja de modo algum um sintoma de triunfo moral). Um sintoma neurótico é em muitos casos a expressão específica de um conflito moral e o êxito do esforço terapêutico depende da compreensão e da solução do problema moral da pessoa. (Fromm p.100)


Assuma-se, saia da neurose de achar que tudo está perdido em determinadas situações. Se nada é por acaso e somos nós que criamos as situações e desafios em nossa vida, devemos entender que, se estamos passando por determinadas situações, é porque precisamos delas para crescer e evoluir.


Para conseguir superar seus dilemas na existência o homem precisa desenvolver qualidades como flexibilidade, sensibilidade, coragem, afetividade, capacidade de suportar a dor, amor próprio, resistência ao fracasso, o amor à vida, bondade, ternura, inteligência emocional, isto só é possível dentro do autoconhecimento. “A promoção e prevenção da saúde psíquica precisa de conhecimento, não existem grandes chances para aqueles que vivem sob o tormento da ignorância emocional e da alienação social”.(Pereira, 2012,p.159)

Vemos então, que o amor é imprescindível no tratamento das neuroses, porque os neuróticos passam a se harmonizar em seus pensamentos e ações. Pois, como sofrem de frustrações amorosas em sua análise devem reviver a sua vida emocional e suas ânsias de amor, para viver um clima de verdadeira compreensão e afeto, com as pessoas do seu convívio familiar e social.


A neurose é um sintoma de fracasso moral. Em síntese, o fator genético da neurose, é o temor à solidão sofrido pelo ser humano. Recorrendo ao amor, como valor de referência para a cura das neuroses, Fromm defende que o amor do indivíduo por si mesmo, está inseparavelmente ligado ao amor pelas demais pessoas do seu convívio. Afirma também, que o amor genuíno, é uma expressão de produtividade e implica cuidado, respeito, responsabilidade e conhecimento; um esforço ativo pelo desenvolvimento e a felicidade pela pessoa amada, enraizado na própria capacidade de amar.


Quem é capaz de amar produtivamente, também ama a si mesmo, por isto, não é egoísta, porque o amor fraterno serve prioritariamente as relações de apoio fraterno às outras pessoas. Pois, todo aquele que consegue amar a si mesmo e aos demais, é capaz de superar a solidão, as frustações, conviver com os demais irmãos e irmãs e lidar com as neuroses, para superá-las e assumir uma vida saudável e fraternalmente feliz.


As necessidades existenciais, biológicas, sociais, culturais, religiosas e recreativas, ampliam esta sua vontade de libertar-se de tudo aquilo que impede a realização, em diversos planos de sua existência, entende que ninguém pode fazer esta jornada sem ser ele mesmo, sabe que pode ser livre, para assumir-se diante da sua existência ou viver sobre o tormento de suas neuroses. Porque a neurose existe com uma única finalidade, impedir o desenvolvimento de todas as potencialidades como ser humano, e estas exigências e superações são necessárias para a sua autoafirmação como pessoa plenamente inserida no contexto familiar e no convívio social, sempre acompanhado de um psicanalista.


Todo o ser humano precisa conhecer-se para livrar-se dos medos, da insegurança, das pressões familiares, do convívio social e profissional, para transcender a todas as suas limitações emocionais. Este exercício de libertação é a condição que agrega muitas possibilidades, de aprender consigo mesmo e com todas as pessoas do convívio familiar e social, porque este, é o caminho de superação, diante das exigências afetivas, familiares, sociais, recreativas, culturais, religiosas e econômicas, pois só assim, pode ser capaz de prover a própria sobrevivência emocional que neutraliza a presença das neuroses.


Fazer a análise de um paciente inclui a capacidade de levá-lo ao encontro de sua própria desumanidade, mas também de resgatar o seu potencial de humanidade, isto é sempre possível porque existe o desejo, onde está o ser desejante, encontra-se o prazer de viver e ser, além disso, aprende a lidar com seus medos e inibições, surge a coragem para enfrentar e conhecer este mundo desconhecido em relação a si mesmo, e assim, entendemos que a análise humanista não trata somente a neurose benigna e maligna, mas o sentido e o significado da vida da pessoa na existência (Pereira, 2015 p.30).

O homem foi feito para a felicidade, cuja perfeição só se encontra em união com a Divindade, dentro de uma harmonia biofísica.


Quando nos sentimos absorvidos pela corrida vertiginosa do progresso, façamos uma pausa, para o encontro conosco mesmo; portanto, reflitamos com este poema de (Kierkegaard):


Tu, que andas às apalpadelas,

Tu, que sentes um vazio em teu íntimo,

Tu, que te preocupas à-toa com tantos afazeres,

Tu, que vives na angústia, sempre à cata de algo mais!

Não ves que a posição social não de basta,

Que o prazer não te basta,

O dinheiro não te basta,

O espaço não te basta,

A lua não te basta,

A matéria não te basta,

A antimatéria não te basta,

O finito não te basta!...

Teu coração sempre quer algo mais, mais, mais,...

És feito (a) para a felicidade infinita...

Mas esta felicidade começa dentro de ti.

Por isto, neste instante, eu te peço: “PÁRA, ENTRA DENTRO DE TI” e pergunta-te:

- Quem sou eu no Universo?

- De onde venho?

- Qual é o meu paradeiro depois do peregrinar estonteante neste universo caótico?...

“Jamais existiu um gênio sem a angústia do destino, a não ser que, concomitantemente, tivesse sido religioso”.

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